Categoria: Veículos Criado em Quinta, 14 Outubro 2010 11:59
Redes sociais se tornam fonte de dados do setor

Não é preciso mais ir a sites especializados para obter informações sobre o tráfego nas principais cidades brasileiras. Dúvida? Coloque a expressão “trânsito” no campo de busca do Twitter e se surpreenderá com a quantidade de postagens sobre o assunto no microblog. São textos de todos os tipos, desde os informativos aos de reclamação.
Quando o objetivo é informar sobre engarrafamentos e acidentes, por exemplo, há usuários que dedicam seu tempo somente a isso. Luiz Eduardo Negro Vaz, educador físico, por exemplo, criou o perfil @TransitoManaus com esta finalidade. Hoje, acumula mais de nove mil seguidores e, em média, 120 postagens sobre o assunto todos os dias.
“Recebemos, aproximadamente 50 mensagens diariamente sobre o trânsito na cidade. Estas informações são repassadas aos nossos leitores. Eles também ajudam a difundir nossas postagens na internet”, explica.
Já a cidade de São Paulo, famosa por seus congestionamentos gigantescos, tem pelo menos dois usuários com este objetivo. Juntos, o perfil @transito_sp e o @transitoagoraSP acumulam mais de 1,5 mil seguidores.
O Rio de Janeiro possui três perfis sobre o assunto. Os endereços @transitoRJO, @TransitoRJ e @ILSRJ reproduzem informações próprias e conteúdo de portais de notícias. Cada um possui, respectivamente, 2.546, 986 e 697 seguidores.
Porém, para quem pensa que este é um universo apenas para pessoas comuns, engana-se. As empresas e órgãos não estão alheios a esta nova opção na hora de buscar informação de trânsito e estão cada vez mais presentes nas redes sociais.
Órgãos públicos do Estado de São Paulo, como a Secretaria de Transportes, por exemplo, ganharam perfis no Twitter, Facebook e Orkut, além de usar ambientes de compartilhamento de dados como YouTube (vídeos), Flickr (fotos), Formspring (perguntas) e Slideshare (arquivos de texto). Na capital, Metrô e CPTM (Companhia Metropolitana de Trens Urbanos) também estão em contato direto com os usuários via Twitter e Flickr.
Uma pesquisa do Instituto Nielsen, revela a força das redes sociais no País. De acordo com o estudo, oito em cada dez internautas brasileiros acessam esse tipo de ambiente virtual, que relaciona perfis individuais, empresas e compartilhamento de dados e arquivos.
Talvez por isso, muitas ações de conscientização também passaram a ser realizadas pela Internet tendo como foco as redes sociais. Para Hugo Leal, deputado criador da Lei Seca no Rio de Janeiro, estas ferramentas têm um papel crucial para conscientizar os condutores.
“O trânsito, o maior espaço democrático que existe, em que pessoas de todos os tipos convivem, não pode ficar à margem desses recursos de integração e inter-relacionamento pessoal. Com o passar do tempo, a sociedade vai compreender melhor o alcance e importância desses meios, não só como difusão dinâmica de informações mas, principalmente, como serviço de utilidade pública”, destaca.
No Espírito Santo, o Detran passou a realizar ações educativas na rede. “Qualquer ação que envolva mudança de comportamento e mobilização social, que é o objetivo maior da educação no trânsito, não tem alternativa, a não ser utilizar as redes sociais. Atingimos um público mais jovem do que conseguíamos com a mídia convencional”, destaca Margô Devos, gerente de comunicação do órgão.