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Reciclagem: modelo que vem de fora

Locais criam medidas para otimizar processo

Na vizinha Argentina, para tentar diminuir as irregularidades na atuação dos desmanches e a ligação com o furto de veículos, em 2005 – por meio de uma operação do governo federal - foi implantado no país um programa de reciclagem que instituiu a criação de um centro de tratamento de veículos fora de uso, que recicla peças de 250 automotores por mês e já atingiu a marca de 25 mil componentes reaproveitados.

Um pouco mais longe, na Espanha, há uma lei – de 2002 – que exige que os veículos sejam enviados aos CATs (Centros Autorizados de Tratamento) onde passam por um triagem que determina o encaminhamento apropriado de cada parte do veículo.

Para o Cesvi, assim como ocorre na Argentina e na Espanha, o Brasil tem todas as condições de desenvolver centros de tratamento de veículos. Entretanto, para realizar esta ação, que contaria com a experiência do centro na área, são necessários investimentos em instalações, padronização dos processos e treinamento dos profissionais envolvidos.

Montadoras

No Japão, país que também possui uma política que determina a reciclagem de veículos, as montadoras possuem um papel crucial no processo. Assim, as fabricantes estão simplesmente cumprindo as determinações da lei de reciclagem que estipula meta de 70% de componentes reaproveitados até 2015.

Já na União Europeia, a ELV (End of Life Vehicles – lei de reciclagem de veículos) determina que - até 2015 - 95% dos veículos sejam reciclados. Como, na Europa, as próprias montadoras têm a responsabilidade de reciclar os automóveis que produzem, as fábricas são estimuladas a utilizar materiais que facilitem o processo de reaproveitamento.

Neste aspecto, especialistas divergem sobre a opinião de que no Brasil esta medida seria viável. Para Bueno, “as fabricantes podem dizer a melhor forma de desmontar o veículo, entretanto não possuem expertise para fazer disso um negócio”. Já Ricardo Bock acredita que esta é uma área onde as montadoras podem atuar. “Uma prova disso são os cases em outros países”, aponta.

Feliciano também acredita no potencial das fabricantes nesta cadeia. “A melhor forma das montadoras participarem deste processo seria agindo de acordo como age em outros países: se responsabilizando ambientalmente desde a concepção do projeto, além de auxiliar no processo de tratamento de veículos fora de uso, fornecendo, por exemplo, informações técnicas sobre os componentes e também como a melhor forma de reciclar tais componentes”, argumenta

Projeto

Com o objetivo de balizar futuras políticas públicas de incentivo à reciclagem veicular, a AEA vem desenvolvendo – há um ano – um projeto para apresentar ao governo uma solução imediata para a questão no País.

O estudo – que conta com a participação de ministérios e institutos – deverá ser entregue até setembro deste ano, segundo Bueno. “A preocupação é dar um descarte correto para todo os itens que compõem um veículo. Não é interessante, por exemplo, que apenas o aço seja reaproveitado e o restante seja excluído da cadeia produtiva”, argumenta.

E finaliza: “mas como posso tornar essa questão interessante para o mercado? Colocando empresas dentro da discussão, mostrando como cada componente pode ter sua vida útil estendida”.

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