Categoria: Rodoviário Criado em Sexta, 12 Março 2010 08:37
Eliminação de curvas perigosas, restauração e pavimentação das pistas, duplicação de trechos críticos e fim do conflito entre tráfego urbano e rodoviário nos trechos próximos às cidades.
Na trágica data de aniversário de morte dos seis ocupantes de uma van, na temida curva do km 30, da BR-381, entre Caeté e Sabará, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) dá um alento às famílias dos universitários e do motorista que morreram, em 11 de março de 2009, num acidente contra um caminhão desenfreado: até setembro, os projetos de engenharia estarão prontos. Em seguida, como prometeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo federal deve abrir licitação para contratação das empreiteiras responsáveis pela tão sonhada duplicação da rodovia, incluída na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Mas as promessas, palavras e datas, ao se tratar da Rodovia da Morte, como a BR-381 é chamada por diversos motoristas, sempre foram tantas que a solução encontrada é rezar - no sábado, está marcada uma missa no local onde morreram os estudantes de Caeté. É uma homenageam às vítimas, mas também um pedido para que o projeto, desta vez, saía do papel.
Até julho, as empresas devem concluir os projetos de engenharia de oito dos 10 lotes do trecho de 306,4 quilômetros entre Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e Belo Horizonte - os dois restantes correspondem à variante de 45 quilômetros entre São Gonçalo do Rio Abaixo e Nova Era e ainda não foram assinados por falta de interessados no segmento considerado o mais complicado de toda a obra.
“O início dos trabalhos depende da tramitação do edital para contratação das construtoras. A expectativa é que em meados do ano que vem tenham início as intervenções e, a partir da adequação, a rodovia comporte os veículos nos próximos 10, 15 ou 20 anos”, afirmou o superintendente do Dnit em Minas, Sebastião Donizete.
Prévias dos projetos mostram que haverá redução de 13,2 quilômetros entre BH e Governador Valadares, passando para 293,2 quilômetros. O principal ponto do projeto é a eliminação de pontos críticos, como curvas sinuosas e áreas de travessia urbana.
A construção de 150 obras de arte especiais, como túneis, viadutos, pontes e passarelas, possibilita a eliminação de trechos onde o trânsito urbano e o rodoviário se encontram, propiciando alto número de atropelamentos. Próximo a João Monlevade, a correção do traçado deve reduzir em oito o número de curvas num trecho de pouco mais de três quilômetros, passando de 10 para somente duas.
Ao todo, devem ser construídos 218 quilômetros de rodovia nova. Mas alguns trechos podem permanecer com pista simples, como a ligação entre Valadares e Belo Oriente, por onde trafegam aproximadamente 8 mil veículos por dia. Já no fatídico trevo de Caeté, um viaduto deve ser construído para passagem do trânsito urbano e uma intervenção deve facilitar o retorno dos motoristas.
As intervenções são propostas de acordo com análise do volume de tráfego e do nível de saturação de cada subtrecho. O fluxo de veículos varia entre 8 mil/dia, em Governador Valadares, e 45 mil/dia na ponta oposta, em Belo Horizonte. Próximo a Ipatinga, alcança o topo de movimentação, com 63 mil/carros/dia. Lá, para comportar a demanda, será construída uma terceira faixa para cada sentido - atualmente, a pista já é duplicada. Segundo a analista de infraestrutura do Dnit, Márcia Regina de Amorim, serão implantados retornos a cada cinco quilômetros. “A estimativa de investimentos varia entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões”, diz.
Na quarta-feira, o presidente Lula confirmou a inclusão da duplicação da BR-381 na próxima edição do PAC e o cancelamento do projeto da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que previa concessão da rodovia à iniciativa privada.
A expectativa é que no segundo semestre seja lançado edital para contratação das empresas que vão executar a obra, estimada para ser concluída em quatro anos. Com isso, caso o processo licitatório não seja retardado por motivos burocráticos, a expectativa é que a obra seja entregue em 2014, depois da Copa do Mundo.