Categoria: Passageiros Criado em Sexta, 20 Fevereiro 2009 11:21 Escrito por Redação Webtranspo: Eliane Leite 20.2.2009 - 11h21
Medida visa facilitar o trânsito na cidade paulistana, mas 600 mil pessoas utilizarão outros transportes 
Alexandre Moraes, Secretário Municipal de Transporte, anunciou na última semana planos para restringir a circulação de fretados na cidade de São Paulo. A medida, segundo o secretário, promoverá uma melhora no trânsito da região
No entanto, para Jorge Miguel dos Santos, Diretor-executivo do Transfretur (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo de São Paulo), a solução terá resultado contrário. “Na verdade a restrição de ônibus vai piorar o trânsito. As pessoas que utilizam os fretados terão que se locomover de carro”, declarou.
Atualmente, o transporte por fretamento é responsável pela locomoção de 600 mil pessoas por dia, segundo Santos. “As entidades responsáveis pela organização do trânsito e do transporte devem entender que a modalidade de fretamento é uma aliada para inibir os congestionamentos nos centros urbanos”, afirmou.
Para ele, “qualquer iniciativa em relação ao trânsito deve ser uma alternativa viável. Mesmo porque a prefeitura não pode abandonar essas 600 mil pessoas e pedir para que elas passem a utilizar o transporte urbano – de metrô, nove pessoas por metro quadrado – ou ficarem no congestionamento vários quilômetros por dia”, ressaltou. “As restrições podem vir, mas desde que as alternativas sejam viáveis”, completou.
Santos enfatiza que “o transporte por fretamento, funcionando de forma organizada, somente proporciona benefícios para a cidade. Ele é uma alternativa para o transporte público”. De acordo com o diretor, o único problema enfrentado pelo setor nas grandes cidades é a atividade irregular.
Uma pesquisa encomendada pelo Transfretur, realizada pelo Instituto LPM em 2008, apontou que um ônibus por fretamento retira das ruas 19 carros. A restrição faria com que em média, 11.400 automóveis a mais passassem a circular nos pontos impedidos em horários de pico, conforme disse Santos.
“A proporção é simples, pois o usuário do fretamento é o que deixou o carro em casa, e isso já foi comprovado em um levantamento realizado pelo Sindicato”, afirma.
De acordo com o diretor, hoje 70% do mercado de fretamento fornece serviço para companhias no transporte de funcionários. “Têm empresas que só estão em São Paulo por causa do transporte por fretamento. Alphaville, por exemplo, recebe 400 ônibus por dia, vindos da Região Metropolitana de São Paulo”.
Além de deixar 600 mil pessoas “desamparadas”, o impedimento teria outros impactos negativos. “Empresas deixariam de ter faturamento, fechariam e haveria muitos desempregados. Os efeitos seriam catastróficos”, observou Santos.
Para ele, o mais sensato no momento é “continuar os estudos e daqui a quatro meses montar um plano mais viável para a melhora do trânsito na cidade”. “O transporte por fretamento é uma alternativa ao passageiro, retira o carro da rua e melhora o trânsito”, conclui.
– os ônibus de turismo ficarão impedidos de circular nas avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek A premissa de Moraes é que a norma entre em vigor em abril.