Categoria: Passageiros Criado em Terça, 23 Fevereiro 2010 08:40
Ontem os belo-horizontinos e moradores de cidades vizinhas ainda não sabem se vão chegar ao trabalho. Vão acordar com a incerteza de como vai estar o trânsito pela falta de transporte público. Ontem, na primeira segunda-feira após o Carnaval - data em que para muitos o ano realmente começa no Brasil -, a capital mineira parou com a greve de motoristas e cobradores de ônibus.
O movimento dos rodoviários se estendeu por nove cidades das regiões metropolitana e Central. Mesmo com a determinação da Justiça, dada ontem à noite, para que os sindicalistas suspendessem imediatamente a greve, a dúvida sobre o retorno dos trabalhadores permanecia, assim como o impasse entre patrões e empregados. Os rodoviários querem aumento de 37% e os empresários só querem conceder 4,36%.
A luta por melhores salários e condições de trabalho fez com que 95% dos motoristas cruzassem os braços só na capital, no horário de pico. Eles querem recuperar as perdas salariais dos últimos dez anos. "Nesse período, o preço das passagens subiu 187,5%. Já o salário aumentou apenas 85%", justificou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário, Ronaldo Batista. O piso salarial da categoria é de R$ 1.180 para os motoristas e R$ 590 para os trocadores.
Enquanto isso, 1,5 milhão de pessoas ficaram sem ônibus na capital. E o que se viu pelos principais corredores de Belo Horizonte foram carros, carros e mais carros. Quem depende totalmente dos ônibus ficou à mercê da sorte em pontos lotados. Alguns puderam pagar táxi, mas o sistema não conseguiu atender à demanda. Mesmo deficitário, o metrô registrou um aumento de 32% dos passageiros.
No transporte clandestino, os perueiros tiveram dia de reis e rodaram livremente sem multas ou regras. Algumas pessoas pegaram carona, outras chegaram aos seus destinos a pé. Ainda assim, muitas não conseguiram se locomover. Ônibus quebrados, confusão entre sindicalistas e polícia. Dia difícil. A população aguarda soluções por parte das autoridades.
37% é o reajuste desejado pelos grevistas; 32% foi o aumento no número de usuários do metrô. Das 5h30 às 9h30, 75.200 pessoas usaram esse meio de transporte; 2.854 coletivos é a frota de ônibus de Belo Horizonte; 1,5 mi de usuários foram afetados pela paralisação na capital; 95% dos rodoviários aderiram à greve ontem em BH e nas regiões metropolitana e Central do Estado.