Sexta-feira, 12 / 03 / 2010
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Escrito por Redação Webtranspo: Elizabete Vasconcelos / Foto: Divulgação / 20.7.2009 / 12h40    | Imprimir |  E-mail
Peñalosa: caos no tráfego revela falta de democracia

Para especialista, não priorizar o transporte público indica que o governante não pensa na maioria

“O transporte piora na medida em que uma cidade prospera”. É assim que Enrique Peñalosa, Consultor Internacional do ITDP (Institute for Transportation & Development Policy) e ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, define o principal motivo para os problemas com o trânsito.

Para o consultor, as soluções de transporte são políticas e não técnicas. Segundo ele, uma cidade que possui uma boa política de mobilidade analisa como reduzir o uso de automóveis, já uma que possui problemas nesta questão pensa como facilitar a circulação deste veículos.

“Os problemas com mobilidade são solucionados com transporte público. Já o caos visto nos engarrafamentos não, pois quanto mais vias sãos construídas para atender a essa demanda, mais carros são adquiridos”, argumenta.

Segundo ele, em muitos lugares a população vê os ônibus como sistemas de transporte inferiores, para pobres. “No entanto, em Londres, por exemplo, as pessoas se sentem mais seguras neste tipo de transporte”, aponta Peñalosa.

O consultor acredita também que, embora importantes para o sistema, os metrôs não devem ser sempre prioridade. “Não faz sentido implantar o transporte sobre trilhos em cidades que podem receber sistemas de ônibus eficientes. Um quilômetro de metrô custa aproximadamente US$ 140 milhões, é um preço muito alto”, pondera.

Para Lélis Teixeira, Presidente executivo da Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) e Presidente da RioÔnibus, “infelizmente quando as pessoas pensam em como chegar rapidamente a um lugar elas pensam em utilizar o carro ou o metrô. Temos que fazer com os ônibus sejam lembrados como um sistema eficiente”.

Segundo seus cálculos, quando uma pessoa precisa de três horas para se locomover entre sua residência e seu trabalho, ao longo de sua vida, terá perdido de três a quatro anos em congestionamentos.

“É uma questão cultural não pensar em ônibus, e sim apenas querer adquirir um automóvel. Para que o Brasil tenha uma boa mobilidade é imprescindível que este pensamento mude”, finaliza.

Ouça trechos da entrevista com Peñalosa na Rádio Webtranspo