Sexta-feira, 12 / 03 / 2010
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Escrito por Redação Webtranspo: Eliane Leite / Foto: Divulgação Fresp - 8.2.2010 - 11h38    | Imprimir |  E-mail
Fretados: roubo deixa de ser grande preocupação em São Paulo

Receptação de ônibus diminui no estado; queda no índice tranquiliza motoristas e empresários do setor 


Colocar um ônibus rodoviário em circulação no início de um dia de trabalho era sempre motivo de preocupação para motoristas e empresários que trabalham com fretamento – o primeiro pelo abalo físico e emocional ocasionado muitas vezes por horas em cativeiro, já o segundo por todos os prejuízos decorridos dessa ação.

Porém, o cenário para esses profissionais tem se mostrado positivo nos úlimos anos. Segundo a Fresp (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo), o índice de roubos tem caído significativamente. No ano passado, ocorreram apenas três casos, enquanto em 2008, foram sete. De 2000 a 2009, foram 41 ocorrências.

De acordo com Regina Rocha, diretora executiva da Fresp, ações da federação em conjunto com o poder público – polícias rodoviária e militar –, amparadas tecnologicamente, favoreceram a queda no índice.

A executiva conta que as medidas da Fresp tem ultrapassado as barreiras do estado, alcançando Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. “Alertamos sobre o que está acontecendo”, observa ela ao relatar que todas as informações e características do ônibus receptados são transmitidas para o poder público destes estados para que possam atuar em favor da recuperação do veículo.

Paralelamente a isso, a disseminação rápida das informações sobre o ônibus tem sua importância na hora de interferir no plano dos infratores. Com esse propósito, a Fresp criou em seu site um serviço para os seus associados que auxilia quando há a necessidade de divulgar uma ocorrência.

“Os associados passam informações sobre os veículos e, a partir daí, disparamos um e-mail para todas as empresas que temos cadastro, alertando o roubo deste veículo, e também para as autoridades policiais”, conta Regina.

As agências reguladoras de transporte de outros estados também recebem o comunicado, “porque pode acontecer, por exemplo, de um veículo roubado aqui em São Paulo estar trabalhando no Maranhão e ser registrado no poder público de lá, então nós passamos esse alerta também para as autoridades de transporte de outros estados”, ressalta.

Motorista em ação

Não há melhor conhecedor de um equipamento, além daquele que opera a sua ferramenta de trabalho. Regina observa que os motoristas também têm uma importante participação na recuperação de veículos roubados.

Além de estarem por mais tempo nas ruas, trabalhando, os profissionais do volante também sabem detalhadamente tudo sobre modelos, carrocerias, ano de fabricação e outras características de ônibus rodoviários. Por isso, a Fresp também dispõe as informações sobre qualquer ônibus furtado em locais de escalas desses motoristas. “Já aconteceu de um motorista identificar um ônibus furtado na rodovia e acionar a polícia”, conta.

Regina ressalta que todas essas medidas pontuais – a divulgação pelo site, a informação do roubo para outras autoridades estaduais, a tecnologia e, principalmente, o trabalho em conjunto – “contribuíram significativamente para a queda no índice de roubos”.

“A tecnologia sem dúvida contribui para evitar o roubo”, complementa a executiva. Mas afirma que ainda há a possibilidade de os infratores burlarem o funcionamento do dispositivo.

“Normalmente, o ônibus é receptado quando se está chegando em casa, por isso demora para que a empresa perceba o roubo, então até se darem conta da falta, os assaltantes já localizaram o rastreador e retiraram o dispositivo, enquanto isso, o motorista fica em cativeiro”, observa. “Isso dificulta porque São Paulo está perto de várias fronteiras; pode ser que em menos de duas horas, o veículo já esteja fora do estado”, complementa.

A diretora ressalta que nesses casos, não há preocupação para os passageiros porque “o objetivo deles é o equipamento. Tanto é que não temos nenhuma referência de roubo com passageiros dentro do ônibus”.


Um incentivo ao trabalho

Todo esse processo pode ser prejudicial para a carreira de um motorista. Regina diz que “depois que as ocorrências se tornaram mais freqüentes, as empresas se preocuparam em alertar os motoristas”.

Para evitar o roubo, conta aos profissionais como é a operação da quadrilha. “Como agem por encomenda, são três ou quatro dias seguindo o ônibus, buscam saber qual é o melhor horário e maneira para interceptar o veículo”. Com isso, ao perceber que o ônibus está sendo observado, a empresa troca a rota do veículo e até mesmo o modelo de ônibus na rota e para evitar o assalto.

Já quando se trata se reparar as consequências do fato ocorrido, a maioria das transportadoras apresenta um trabalho para a recuperação do motorista, “porque a condição física e emocional é indispensável para a segurança dele e da viagem. Então as empresas se esmeram muito neste objetivo”, ressalta Regina. Nesse âmbito, entra o tratamento psicológico e até a licença do trabalho, dependendo da gravidade do fato.


Turismo rodoviário em alta

Para Regina, a queda do índice, embora não tenha relação direta, não deixa de ser um ponto favorável para a exploração do turismo rodoviário.“Estamos buscando sempre ferramentas para incrementar os negócios de transporte por ônibus. E temos trabalhado muito a questão do turismo por transporte rodoviário para influenciar e divulgar que a viagem de ônibus também pode ser muito benéfica e apresentar várias vantagens”, finaliza.