Categoria: Logística Criado em Terça, 02 Março 2010 09:46 Escrito por Redação Webtranspo: Elizabete Vasconcelos / Foto: Divulgação Unica - 2.3.2010 - 9h45
No mercado brasileiro, consumo do combustível poderá alcançar a marca de 50 bilhões de litros

O ano mal começou e o mercado sucroalcooleiro brasileiro já tem protagonizado diversos fatos importantes para a economia brasileira, e por que não dizer, mundial. Apenas neste mês, o processo de consolidação deste segmento avançou no Brasil com acordos entre grandes empresas.
O Grupo Cosan e Shell Internacional Petroleum, por exemplo, formalizaram uma joint venture que promete ampliar a presença global do etanol brasileiro. O acordo, avaliado em US$ 12 bilhões, une a principal produtora brasileira e mundial de etanol de cana-de-açúcar e detentora das marcas Esso e Mobil no País e uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
Para a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), “a parceria gera escala, eficiência e tecnologia, o que certamente contribui para que o etanol brasileiro conquiste mais espaço no mercado mundial e supere obstáculos que ainda atrapalham o seu crescimento em mercados potenciais”.
Sozinha, a nova empresa será responsável pela distribuição de dois bilhões de litros de álcool no mercado interno. Além disso, a Shell torna-se assim, a terceira empresa petrolífera a investir na produção de etanol no Brasil. A BP foi a primeira em 2008, seguida pela Petrobras, que fez seu primeiro investimento direto na produção no final de 2009.
Também neste mês, a Bunge Ltd., uma das maiores companhias do setor agrícola no mundo, informou que finalizou mais uma etapa do negócio com o grupo sucroalcooleiro Moema – iniciado no fim de 2009 - passando a deter 100% de participação em três usinas de açúcar e álcool.
O negócio está avaliado em aproximadamente 452 milhões de dólares em ações. Além disso, a empresa afirmou, posteriormente, que pretende investir no setor parte dos recursos da venda, por US$ 3,8 bilhões, de suas operações de fertilizantes para a Vale.
Já na última semana, a empresa de açúcar e álcool controlada pelo grupo Odebrechet, a ETH Bioenergia, anunciou um acordo para fundir seus ativos com a Brenco (Companhia Brasileira de Energia Renovável).
Com isso, nasce no País uma das maiores produtoras de etanol do mundo, com capacidade inicial de moagem de 37 milhões de toneladas, proporcionando a fabricação de três bilhões de litros de etanol por ano a partir da safra 2013/2014, além da geração de 2.500 gigawatts por hora de energia com a queima do bagaço de cana.
Segundo a Unica, o surgimento de uma empresa como essa (o nome ETH Bioenergia foi mantido) significa um passo importante em direção à consolidação do setor. “ETH e Brenco tem origens similares e projetos arrojados que agregam tecnologia de ponta e objetivos ambiciosos; portanto, a união das duas em uma única empresa deve reforçar essa estratégia e acelerar resultado”, afirma o presidente da entidade, Marcos Jank.
Neste contexto, este mercado vive uma fase de renovação das apostas na consolidação do etanol como combustível global competitivo, renovável e limpo. Recentemente, a EPA (sigla em inglês para Agência Americana de Proteção Ambiental) classificou o etanol feito de cana-de-açúcar como um biocombustível avançado, que reduz a emissão de dióxido de carbono em 61% comparado à gasolina, desbancando, assim, o etanol proveniente do milho – produzido principalmente nos Estados Unidos – que, na comparação, diminui a emissão em apenas 21%.
De acordo com Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, “até 2015, o consumo interno de álcool deve dobrar de 26 bilhões para 50 bilhões de litros, e a demanda externa pelo produto brasileiro pode chegar a 15 bilhões de litros. Isso exigirá investimentos de US$ 50 bilhões em novas usinas de etanol”.(*)
De olho na demanda
Com o objetivo de atender este crescimento, mas na outra ponta da cadeia: a de transportes, a companhia paranaense Rodo Linea tem focado seus negócios no desenvolvimento de soluções específicas para atender o setor sucroalcooleiro.
“Desde a nossa entrada no mercado de implementos (em 2004, aproximadamente) estamos focados em suprir as empresas com tecnologia e produtos que se adéquem à operação”, argumenta Roberto Vergani, diretor industrial da companhia.
Segundo ele, no início, este segmento representava quase 70% dos negócios. Atualmente, este índice está em entre 40% e 50%. O executivo explica que isso aconteceu devido à ampliação de outros mercados, mas garante que este setor continuará sendo muito forte para a companhia.
“Temos uma equipe de engenharia e pós-venda que atuam em diversas visitas aos clientes, seja em usinas ou no canavial, para verificar as necessidades específicas de cada operação, para assim, melhoramos os produtos”, pondera.
De acordo com Vergani, os semirreboques e os rodotrens - destinados ao transporte de cana picada - são os produtos com maior procura. “As empresas buscam equipamentos resistentes, com baixa manutenção, com um projeto adequado à capacidade da usina e com a tara (peso próprio) o mais leve possível, para que o custo-benefício seja adequado. Pensando nisso, buscamos desenvolver as melhores soluções”, finaliza.
(*) Entrevista concedida ao jornal Valor Econômico, em 18 de fevereiro deste ano.