Categoria: Logística Criado em Sexta, 16 Janeiro 2009 17:31 Escrito por EFE/ UOL Economia
O crescimento da economia chinesa, se mantido no patamar atual nos próximos anos, poderá puxar as commodities brasileiras durante a crise, segundo o economista do Ibmec São Paulo, Otto Nogami. A China reviu seu PIB (Produto Interno Bruto) para US$ 3,76 trilhões, ultrapassando o Canadá e se firmando como a terceira maior economia do mundo.
"Se a China continuar crescendo, a tendência é que a balança comercial mantenha o Brasil em um nível mais bem colocado para enfrentar a crise", afirma ele. O país asiático teve uma retração no ritmo de crescimento em 2008, que marcou o primeiro número abaixo dos dois dígitos em cinco anos. De acordo com informação do Banco Mundial, a taxa chegou a 7,5% em junho.
Mesmo assim, defende Nogami, a economia chinesa deve continuar crescendo a uma taxa de 5,5% a 6% ao ano, muito acima da previsão média para os países ricos, que devem encolher 0,35%.
"A China crescia a 10,5%, 11% antes da explosão da crise. Apesar da redução praticamente pela metade, a média de crescimento muito maior do que a do mundo deve fazer com que ela ultrapasse o PIB do Japão em cinco ou seis anos", afirma o economista. "Isso, é claro, se a China mantiver o patamar de crescimento e o Japão de fato tenha um crescimento negativo".
Para a economista e pesquisadora Lia Valls Pereira, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas), mesmo que essa previsão se concretize, Pequim não deve ser vista como um parceiro leal ao Brasil. "A China não é aliada natural do Brasil. Temos discursos comuns enquanto países em desenvolvimento, mas a China é uma competidora do Brasil antes de qualquer coisa".
Quantidade versus qualidade
No entanto, as cifras robustas divulgadas pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China não colocam o país em pé de igualdade com potências como Estados Unidos e Japão. Se em termos de PIB nominal, é possível que a China marque um número superior ao do país vizinho dentro de seis anos, ela dificilmente será a segunda melhor economia do mundo.
"Mesmo que a China chegue a um PIB de US$ 5 trilhões em cinco anos, sua produção média por pessoa será próxima de US$ 3.550. É menor do que produção média do Brasil atualmente, que gira em torno de US$ 6.700 por pessoa", explica Otto Nogami. "Isso significa que o que cada pessoa poderia comprar em cada país é equivalente a um valor menor na China do que no Brasil".
Lia Valls Pereira, da FGV-RJ, pensa a China como um paradoxo. "É uma economia que se tornou extremamente importante e um país ainda em desenvolvimento", diz. "O PIB nominal pode chegar bem perto dos EUA no futuro, mas a distribuição de renda ainda é o grande desafio".
Lia lembra que diferente do PIB nominal, o PIB analisado pela paridade de poder de compra da moeda ainda é o 122º do mundo. A metodologia tenta eliminar as flutuações da moeda na comparação entre a riqueza gerada por diferentes países.