Categoria: Infra Criado em Sexta, 05 Agosto 2011 12:42 Escrito por Redação Webtranspo - Foto: Divulgação
Capital paulista pode entrar em colapso urbano

São Paulo conta atualmente com uma frota de mais de sete milhões de veículos, de acordo com dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). O caso está ficando tão caótico que especialistas afirmam que se todos esses carros, ônibus, motos e caminhões estivessem circulando ao mesmo tempo, não haveria espaço suficiente para que ficassem parados um atrás do outro nas vias.
Consultados pela Agência Brasil, tais consultores relataram que é preciso – com uma certa urgência – uma mudança de foco do Poder Público nas três esferas de governo: deixar de investir em asfalto e no transporte individual e passar a concentrar esforços nos veículos de massa, principalmente nos de trilhos como metrôs e trens.
“Não dá mais para ocupar espaço na cidade com sistema viário, com rua e estacionamento. A ocupação por automóveis individuais otimiza pouco. Se for aproveitado para colocar um sistema de transporte coletivo, num espaço menor, vai ser transportada uma quantidade maior de pessoas”, explicou Kazuo Nakano, arquiteto urbanista do Instituto Pólis.
Restrição de tráfego de caminhões e de ônibus fretados, ampliação de ciclovias e ciclofaixas e até operações nos corredores de ônibus para aumentar a velocidade dos coletivos. Estas foram algumas das iniciativas da prefeitura paulistana para tentar controlar o trânsito.
Além dessas ações, foram realizadas obras na Marginal Tietê e inaugurados dois trechos do Rodoanel, que contorna a capital, a região metropolitana. Entretanto, tais medidas não surtiram o efeito esperado.
Segundo Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, o “remédio que se tem dado para a cidade não funciona. Quando se planta asfalto, se colhe congestionamento. Abrindo mais vias, mais se estimula o uso do automóvel”, salientou.
De acordo com os especialistas, passado praticamente um ano desde que foram entregues, as obras do Rodoanel e da Marginal Tietê já se mostram saturadas e insuficientes para conter o problema do trânsito. “Se tivéssemos dobrado a nossa linha de metrô, em vez de investir no Rodoanel ou em asfalto, isso teria feito uma diferença enorme na qualidade de vida das pessoas”, ressaltou Ejzenberg.
Para Horácio Augusto Figueira, consultor de engenharia de tráfego e transportes, o problema é que esse modelo observado na capital, que prioriza o transporte individual, está se “replicando” pelo País. “Todas as cidades brasileiras vão entrar em colapso nos próximos dez anos se mantivermos esse mesmo modelo do automóvel”, disse.