Ryder deixa "mancha negra" no mercado de
Logística e Transporte

Marco Antonio Oliveira Neves
5/1/2009 - 13h20
 

Em meados de Dezembro fomos surpreendidos pelo anúncio de saída da RYDER da América do Sul. A Ryder é um dos mais tradicionais Operadores logísticos do mundo, com sede em Miami (EUA) e estava no Brasil desde 1996, com forte atuação no setor. Na América Latina, a Ryder atuará apenas no México, encerrando suas operações no Brasil, Argentina e Chile.

A decisão unilateral da Ryder, tomada em seu headquarter a mais de 6.500 km de São Paulo, traduz-se em um total descaso para com seus funcionários (cerca de 2.400 profissionais), parceiros e principalmente Clientes. A grande maioria deles foi pega de surpresa, e apenas tomou conhecimento do fato através da mídia.

Não se sabe ao certo o real motivo por detrás dessa estúpida decisão, mas seguramente não foi ocasionada apenas pela crise econômica mundial. Crise por crise, os maiores reflexos foram sentidos nos Estados Unidos, onde seu principal cliente, a General Motors, corre sério risco de definitivamente desaparecer do mercado.

Eu trabalhei na Ryder durante três anos, de 2000 a 2003, e lá tive a excepcional oportunidade de aprimorar meus conhecimentos ao conviver com uma empresa extremamente séria, organizada e com profissionais altamente competentes. Como pode uma empresa de enorme reputação, sólida e bem estruturada deixar para trás um mercado tão promissor quanto o brasileiro, que ainda deverá triplicar nos próximos 10 anos? Como pôde uma empresa abrir mão de um mercado no qual tem uma receita bruta de US$ 200 milhões?

A descontinuidade das operações nesses três países pode ser considerada uma verdadeira afronta ao mercado, um choque contra os mais valiosos valores empresariais, principalmente aqueles relacionados ao atendimento e respeito ao Cliente e à gestão de pessoas.

A Ryder deixará uma “mancha negra” sobre o mercado e uma grande dúvida por parte dos Clientes. Muitos questionarão se valerá a pena terceirizar a logística com as grandes multinacionais americanas, asiáticas e européias, na qual o Brasil sequer representa 2% ou 3% da sua receita total. Ótimo argumento para as empresas nacionais e daqui para frente, um grande desafio para as empresas mundiais!

 

* Marco Antonio Oliveira Neves é diretor-presidente da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística

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