Com resultados inferiores aos de 2008, Grupo considera positivos os dados sobre desempenho de 2009
Empresa investirá R$ 200 milhões neste ano
Em 2009, a Randon Implementos amargou uma queda de 18,6% na sua receita bruta total, quando alcançou R$ 3,7 bilhões diante do montante de R$ 4,5 bilhões no ano de 2008. O saldo da receita líquida consolidada também caiu, na margem de 19,3% na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 2,5 bilhões. No entanto, para Astor Milton Schmitt, diretor corporativo e de relações com investidores, os números não têm um sabor tão ruim. “Estes números quebraram o índice de crescimento dos últimos cinco anos; porém, mesmo assim, a taxa média de crescimento é razoável”, observa.
Para Alexandre Randon, vice-presidente do Conselho e diretor vice-presidente, as instabilidades da economia são oportunas para provar a saúde da companhia. “Nós entendemos que 2009, com a crise que se acentuou e, apesar dos resultados menores que 2008, foi um ano muito bom. É também na crise que podemos avaliar se a empresa está saudável. De forma nenhuma fomos abalados, pelo contrário, aumentamos nossa participação no mercado de semirreboques”, diz o executivo.
“Foi um ano com perfil muito diferente de 2008, no qual se pode aplicar muito bem o ditado: ‘após a tempestade, vem a bonança’. Terminamos o ano com resultados que mostram uma empresa com resultados altamente saudáveis”, completa Schmitt.
No que se refere a lucro bruto, o Grupo registrou um saldo 30,6% inferior ao de 2008. O valor foi de R$ 578,2 milhões em 2009, contra R$ 833,7 milhões no ano anterior. “São indicadores que não têm exatamente o mesmo brilho que o ano de 2008, mas não estão significantemente distantes dos anos anteriores; são bastante convincentes, considerando a situação do período”, analisa o diretor corporativo.
Consequentemente, o lucro líquido caiu 39,9%, contabilizando R$ 138,9 milhões em 2009. Com isso, a porcentagem de crescimento do índice foi de 5,6%, a qual foi revelada com celebração por Schmitt. “Qual companhia, em um momento de crise, consegue um crescimento dessa ordem?”, questiona ele.
EBITDA
Os valores do ano passado em relação ao EBITDA do Grupo Randon apresentaram uma retração de 42,2%. Em 2009, o saldo foi de R$ 300,8 milhões, enquanto em 2008 esse resultado chegou à casa dos R$ 520,8 milhões.
“Obviamente, passamos por períodos de ociosidade que impactaram nesse resultado. Perdemos economia de escala, justamente pela retração econômica do País e isso gerou uma perda de eficiência que nos levou a rever as estratégias”, comenta Schmitt.
O executivo explica que a atenção voltada à inovação, tecnologia e gestão de pessoal foi o pilar para manter a performance da empresa. “Exercitamos na plenitude ações de inovação e tecnologia de vanguarda que são extremamente importantes para a competitividade e avanço”. Além disso, “fizemos toda a ‘ginástica’ para preservar a qualidade e manter a base dos recursos humanos”, declara.
Investimentos
Mesmo que o bom senso pedisse para tirar o pé do acelerador, quando o assunto era investimentos, o Grupo Randon ainda aplicou R$ 123,3 milhões no ano passado. O recurso foi destinado à conclusão de vários projetos do plano de investimentos da empresa para o período de 2005 a 2009.
Vislumbrando um melhor cenário econômico neste ano, a empresa projeta investir R$ 200 milhões. Parte do valor será empregado na produção de veículos altamente customizados, conforme contou o executivo. “Já temos a ideia de como a industria de comerciais vai se modernizar neste ano”, observou.
De acordo com ele, “as perspectivas do mercado seguem fortes”. Com a influência da indústria de veículos, o Grupo tem projeções melhores para seus negócios neste ano. A previsão é que a receita bruta chegue a R$ 4 bilhões, a receita líquida consolidada a R$ 2,8 bilhões e as exportações, que em 2009 apresentaram retração de 42,8% - alcançando os US$ 164 milhões -, a US$ 190 milhões,
Geraldo Santa Catharina, diretor financeiro – Divisão Holding, enfatizou que “os investimentos não podem parar. Estamos certos que o Brasil ainda vai crescer muito e a Randon está presente não apenas no mercado rodoviário, mas também no ferroviário”, pontuou.
Mesmo com um momento difícil para o mercado de vagões, no ano passado, a Randon ampliou sua participação no setor e produziu 340 unidades – 314% a mais que o saldo de 2008.
Porém, Schmitt considerou que o “momento de explosão de consumo dificilmente se manterá”, o que sugere, na opinião do executivo, uma certa cautela por parte da empresa para que não haja penalidades aos negócios no futuro.
Copa e Olimpíadas
As vantagens da reestruturação da infraestrutura no Brasil, em razão da Copa Mundial de Futebol em 2014 e das Olimpíadas de 2016, somam pontos positivos para a Randon. Segundo David Abramo Randon, diretor-presidente do Grupo, em alguns estados a demanda de transporte por basculante já é maior devido às futuras competições. Além disso, “o favorecimento do financiamento também está estimulando os negócios”, ressaltou.
Alexandre Randon comentou que o “Brasil tem se mostrado numa defasagem em infraestrutura privada e pública. O crescimento com baixo investimento que o País tem buscado é um problema e os jogos influenciarão a melhora da infraestrutura, ajustando essa defasagem. Os jogos gerarão maior desenvolvimento do mercado e, como atuamos com transporte para o setor, seremos diretamente beneficiados”, salientou.