Nos últimos anos, país havia sido principal parceiro comercial brasileiro. No ano passado, posto foi conquistado pela China
Competição por maiores vendas tende a ser muito acirrada
Neste ano, o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) elegeu como um de seus maiores focos intensificar o fluxo de negócios com os Estados Unidos, retomando a trajetória de expansão da corrente comercial entre os parceiros, e de saldos da balança sucessivamente positivos para o Brasil.
Entre 2000 e 2008, o Brasil acumulou mais de US$ 50 bilhões em superávits em relação ao país, o que representa uma média de US$ 5,6 bilhões ao ano. Entretanto, com a eclosão da crise mundial, houve um recuo no resultado, que passou de US$ 6,4 bilhões em 2007 para US$ 1,8 bilhão em 2008.
Em 2009, os números continuaram a decrescer, chegando a um déficit de US$ 4,4 bilhões. Em janeiro último, o País manteve um saldo negativo (US$ 322 milhões), porém melhor do que o registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 846 milhões). Ao término de 2009, o posto de principal parceiro comercial do Brasil havia sido tomado pela China.
“A ideia é ter prioridade no mercado americano. Estamos aumentando as ações, principalmente na área de promoção comercial”, garantiu Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do ministério, durante evento “O Brasil na Vitrine – Como aproveitar a exposição brasileira para potencializar seu negócio”, realizado pela Amcham-São Paulo, na última sexta-feira, 26.
De acordo com Barral, há três fatores-chave para a queda: redução de preços do petróleo e seus derivados, queda de mais de 60% na venda de aviões, e redução da demanda americana por automóveis. Segundo ele, em todos os demais segmentos, a redução nas exportações brasileiras aos EUA foi proporcional à apresentada nas importações americanas de outros países.
“O risco agora é que, com a recuperação da economia dos EUA, o Brasil não consiga repor sua fatia naquele mercado”, alertou. Para ele, a competição por maiores vendas que deve ocorrer a partir de agora tende a ser muito acirrada e pode acabar distanciando os produtos brasileiros.
O ministério não arrisca uma previsão com relação ao saldo da balança com os EUA para este ano. Pois, segundo a pasta, o resultado dependerá essencialmente da diversificação das vendas e do desempenho dos segmentos historicamente com maior peso (petróleo, aviões e automóveis).