Categoria: Energia Criado em Quinta, 05 Janeiro 2012 12:29 Escrito por Redação Webtranspo / Foto: Divulgação
Americanos cortam incentivos ao produto local -
Os carros americanos deverão circular com mais etanol brasileiro em 2012, isso porque a legislação protecionista ao biocombustível produzido nos Estados Unidos, com subsídio a produção local e altas taxas de importação, expirou no último dia 31 e por conta do fim das atividades do Congresso do país, nenhuma outra medida que impeça a entrada do produto advindo do Brasil poderá ser votada.
Nos últimos meses, uma coalisão, a qual participava a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), trabalhou para que caíssem os subsídios ao etanol utilizado na mistura de gasolina, que custava aos americanos aproximadamente US$ 6 bilhões por ano. Outra medida também interrompida foi a cobrança de US$ 0,54 nos galões importados, que deixavam o combustível brasileiro que chegava aos Estados Unidos menos competitivo.
Findar com os incentivos americanos ao Etanol era um dos principais objetivos da UNICA ao estabelecer um escritório no país em 2007. Com esta batalha vencida, Marcos Jank, presidente da entidade, afirma que se inicia uma nova etapa que exigirá posições mais maduras de Brasil e Estados Unidos.
“Este é o momento em que os dois países, que juntos respondem por mais de 80% do etanol produzido no mundo, devem mostrar liderança e trabalhar em parceria para criar um verdadeiro mercado global para o etanol, livre de barreiras tarifárias, a exemplo do que já acontece com o petróleo. Brasil e Estados Unidos devem dar o exemplo e incentivar o resto do mundo para que produza e utilize mais etanol,” afirmou Jank.
O fim dos incentivos americanos ao etanol local vai ao encontro do que foi discutido na 17ª Reunião da ONU sobre o clima, a COP-17, sobre a redução das emissões de poluentes prevista no Protocolo de Kyoto, que foi prorrogado até 2017, uma vez que, de acordo com Jank, o etanol é uma das alternativas mais eficientes para diminuir o impacto ambiental.
“O etanol de cana produzido no Brasil já é reconhecido como o melhor biocombustível do mundo em termos de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Este reconhecimento veio, inclusive, do governo americano, por meio da Agência de Proteção Ambiental do país, que designou nosso produto como ‘biocombustível avançado’, com até 90% de redução de emissões de CO2 comparado com a gasolina. Agora é preciso promover a forte contribuição que esta medida pode trazer para reduzir emissões mundialmente”, declarou o executivo.
O presidente avalia que, agora com a maior presença do etanol brasileiro nos EUA, será possível avaliar qual a melhor matéria prima dentre as várias que existem para a produção de biocombustível. “O que conta é o baixo uso de energia fóssil para produzir a mais elevada quantidade de energia renovável possível, algo que a cana faz melhor do que qualquer outra fonte. E na atual conjuntura global, vale muito a redução de emissões de gases que causam o aquecimento global, ponto muito forte do etanol de cana. O que não pode prevalecer é a proteção política à matéria-prima deste ou daquele país”, afirmou.