Portal Webtranspo

Switch to desktop Register Login

Ethanol Summit o século do etanol

Energia alternativa entra em pauta no evento

/usina_ethanol_summit_energia

“O século XXI será o da mudança na matriz energética”, foi o que afirmou Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível, durante a palestra, “O futuro do petróleo e o papel dos biocombustíveis” que aconteceu nesta segunda-feira, 6, durante o “Ethanol Summit 2011", evento que discute a importância e o futuro do combustível proveniente da cana-de-açúcar.

No Brasil, a cana tem grande importância como matriz energética, os seus derivados são a segunda maior fonte de energia brasileira com 16% de representação, o insumo agrícola só perde, neste setor, para produtos de origem fóssil, porém fica a frente de grandes geradores de energia como as hidrelétricas.

Para Phil New, presidente da BP Biocombustível, o etanol pode desempenhar um grande papel no cenário de fontes renováveis nos próximos 20 anos. De acordo com o executivo, em 2030, a produção de combustíveis líquidos com matrizes energéticas alternativas deverá somar 6,5 milhões de barris diariamente (quase o triplo do que é produzido atualmente), atingindo 14% do total consumido pelo transporte rodoviário, as afirmações de New são embasadas pelo Estudo BP Energy Outlook 2030.

Embora o futuro indique para uma dependência cada vez menor do petróleo e seus derivados, Rosseto relembrou que atualmente as fontes não renováveis somam uma grande parcela do consumo brasileiro. Segundo o executivo, atualmente, no País 80% da matriz energética é de fonte primária, ou seja, gás, carvão e petróleo.

Mark Gainsborough, vice-presidente de portfólio estratégico e energias alternativas da Shell, relembrou que o etanol não é o único biocombustível, porém admitiu que o produto proveniente da cana-de-açúcar é mais sustentável e barato. Um estudo feito pelo World Watch Institute e Macedo et al, em 2008, comprova a argumentação do dirigente da petrolífera; de acordo com este levantamento, o etanol da cana contém mais energia que os combustíveis de trigo e beterraba, por exemplo. Em uma escala de zero a dez, ele alcança 9,3 de "carga", enquanto os outros dois chegam a dois e 1,4, respectivamente.

Além de energeticamente mais eficaz, o etanol é 80% menos poluente que a gasolina, número bem superior que os combustíveis provenientes da beterraba e grãos que poluem respectivamente 40% e 30% menos que os derivados de petróleo.

Um ponto tratado como essencial durante a palestra foi a importância de tornar o etanol viável financeiramente a ponto de competir no cenário mundial de igual para igual com os combustíveis fósseis. New acrescentou a isso a necessidade de produzir o derivado de cana em larga escala para atender a crescente demanda por biocombustível, e que esta lição o resto do mundo pode aprender com os brasileiros.

O Brasil vem ampliando sua produção de etanol; em 2008, ano usado como referência pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o País atingiu 21 bilhões de litros produzidos, um aumento de 28% aos 15 bilhões de litros fabricados em 2003, ano em que o carro flex entrou no mercado alavancando o setor.

No entanto, Vinod Khosla, presidente da Khosla Ventures, empresa de capital de risco que investe em energia limpa, proteção ao meio ambiente e projetos inovadores, afirmou que os investimentos das grandes empresas petroquímicas no setor de fontes renováveis são insuficientes.

Khosla, que ficou responsável por comentar o discurso dos demais executivos, foi bem severo ao dizer que os interesses das grandes companhias energéticas por fontes renováveis é mais uma questão de publicidade que qualquer outra coisa. O proprietário da investidora não poupou nem mesmo o etanol e comentou que não acredita que o combustível seja a solução para os problemas energéticos mundiais, segundo ele, os hidrocarbonetos menos poluentes, hoje, parecem uma ideia mais interessante e mais viável financeiramente.

Os executivos responderam as críticas argumentando que suas companhias faziam o papel que lhes cabiam e que os investimentos em matrizes renováveis estão sendo feitos.

Diesel da cana


Embora os números brasileiros na produção de etanol sejam expressivos, Philippe Boisseau, presidente de gás e energia da Total, ressaltou que esse não é o único combustível que pode ser extraído da cana de açúcar, há também o diesel da cana.

A Total possui uma parceria com a Amyris no desenvolvimento do diesel de cana no Brasil. De acordo com Boisseau, a manipulação de algumas moléculas do insumo agrícola resulta na produção do óleo. Recentemente, este combustível foi testado em linhas metropolitanas de ônibus em São Paulo. Os resultados do experimento foram promissores, em uma mistura com o diesel tradicional e 10% do produto proveniente da cana, a avaliação de opacidade chegou registrar uma redução de emissão de poluentes de até 40%.

 

© Portal Webtranspo. Todos os direitos reservados.

Top Desktop version