Categoria: Economia Criado em Terça, 14 Junho 2011 13:06 Escrito por Redação Webtranspo: João Vidal / Foto: Robert Scoble
Crescimento do bloco surpreende seu criador

O BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está cada vez mais consolidado como potência mundial; uma demonstração da força deste bloco é que, em 2010, as cinco economias que compõem o grupo obtiveram um PIB de US$ 11 trilhões, ou 18% da produção bruta mundial, se o índice for analisado junto à paridade do poder de compra, este número chega a 19 trilhões, com 25% de representatividade no cenário global. A grande importância que estes países adquiriram em um espaço curto de tempo, já que o termo foi criado em 2001 (nesta época ainda não estava inclusa a África do Sul), surpreendeu até mesmo o mentor da terminologia, o americano Jim O’Neil.
De acordo com O’Neil, o desempenho atual destas nações está à frente do que ela havia imaginado no início da década. Para Evaldo Alves, professor de negócios internacionais da GVPEC (programa de educação continuada da Fundação Getúlio Vargas), o erro do americano foi não considerar o ciclo do capitalismo, ou seja, as inversões de potências econômicas são uma constante e atualmente, o mundo se encontra no final de um período, no qual os EUA eram a grande economia e agora outras estão surgindo com força.
O acadêmico afirma que estas mudanças de hegemonia são inerentes ao sistema capitalista. “Os Estados Unidos eram emergentes no começo do século XX e assumiram uma posição de destaque na economia mundial, hoje os países em desenvolvimento estão na posição que os americanos estavam há 100 anos”, explicou. Outro ponto que Alves discorda do conceito inicial de O’Neil é sobre a sigla, que para o professor, deveria seguir a ordem de importância das economias, assim o grupo se chamaria CIRBS (China, Índia, Rússia, Brasil e África do Sul).
Apesar da nomenclatura do BRIC existir desde 2001, até 2006 os países pertencentes ao grupo atuavam de forma autônoma e independente. Foi apenas a partir da reunião entre os chanceleres dos quatros países ocorrida durante a 61ª Assembleia Geral das Nações Unidas que Brasil, Rússia Índia e China passaram a atuar de forma conjunta. Recentemente, somado aos quatros membros iniciais a África do Sul entrou para o bloco.
Embora ainda não seja um grupo tão consolidado como União Europeia ou o próprio Mercosul, o BRICS tem uma tendência de estreitar mais ainda as relações comerciais. Neste ano, por exemplo, um acordo foi assinado para a cooperação entre as instituições financeiras de suporte ao desenvolvimento, como BNDES, entre esses cinco países emergentes, o negócio prevê a fomentação de acordos entre as nações e facilidades de investimentos em empreendimentos de interesse comum.
Alves avalia que a tendência é que um bloco comercial seja criado, alguns indícios contribuem para isso. O fato da primeira viagem internacional de Dilma Rousseff como presidente ter sido para a China mostra a intenção dos países em fortalecer o grupo. Segundo o acadêmico, os negócios entre brasileiros, russos, indianos, chineses e sul-africanos, seguiriam um caminho natural, uma vez que essas economias crescem de forma expressiva e as potências europeias e os Estados Unidos enfrentam uma situação de estagnação, com pouco avanço no mercado interno.
No cenário global que vem se desenhando, China e Índia devem se tornar os grandes atores econômicos internacionais, em grande parte porque o consumo interno avança muito. “Não vamos nos esquecer que, há 30 anos, estes países possuíam uma classe média em torno de 30 milhões; hoje, 400 milhões de chineses têm renda média, enquanto 380 milhões de indianos se encontram na mesma situação”, comentou o professor.
Além disso, China e Índia apostaram em produções mais interessantes para o mercado internacional, os chineses focaram em mercadorias manufaturadas e os indianos em tecnologia de ponta, ambos possuem valor agregado maior que as commodities, foco brasileiro nas exportações.
Já Rússia e África do Sul, de acordo com Alves, desempenharão um papel mais modesto neste avanço de novas potências. O grande problema dos russos é que o seu desenvolvimento está fortemente atrelado ao mercado europeu, que hoje permanece quase congelado, por isso o país não desenvolve todo o seu potencial de crescimento.
A nação africana, por sua vez, possui características diferentes dos demais integrantes do bloco, como dimensão territorial e população, por isso sua ascensão não é tão impactante como a do resto do BRICS, embora o especialista afirme que sua presença é importante já que representa uma tentativa de negócios para a África, sobretudo com os brasileiros que têm grandes índices de exportação para os sul-africanos.
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