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Comex: indústria em sinal de alerta

Anfavea quer ampliar competitividade nacional




No acumulado dos dez primeiros meses deste ano, as exportações de veículos brasileiros registraram aumento de 74,8%, na comparação com o mesmo período de 2009, atingindo 649,3 mil vendas. Somente em outubro, o comércio exterior superou as 78 mil unidades, se equiparando ao desempenho de 2007, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).


Pelo cenário apresentado, o mercado deveria estar comemorando. Entretanto, um déficit de US$ 4,5 bilhões na balança preocupa as fabricantes.

Até setembro, o mercado nacional exportou o montante de US$ 14,3 bilhões e importou US$ 18,8 bilhões, demonstrando uma perda de competitividade no cenário global desde 2005. Tais números permitiram à indústria “acender” o sinal de alerta, podendo trabalhar no vermelho no próximo ano.

"O sinal amarelo está aceso. O mercado nacional se encontra mais atrativo, é natural que as importações se aqueçam. Todavia, o que nos preocupa é a queda nas exportações”, salienta Cledorvino Belini, presidente da entidade, afirmando que a balança comercial do setor automotivo está abalada.

Belini, que também preside a Fiat do Brasil, apontou que, enquanto o volume de exportações caiu de 30,7% para 17,7% entre 2005 e 2010, a presença de importados avançou de 5% para aproximadamente 19%.

Pressão

Para o executivo, um dos fatores para esse déficit é a pressão exercida pelos Estados Unidos e países da Europa, com excesso de capacidade produtiva (perto de 27 milhões de unidades por ano) sobre o setor automotivo brasileiro, puxada pela moeda nacional. “Precisamos ampliar a competitividade dos nossos produtos para brecar esse grande volume de carros importados”, diz Belini.

O presidente da Anfavea revela que valorização do Real implica em uma necessidade política de incentivo para o segmento de exportações, semelhante ao fornecido pelo governo atual para recuperar o mercado interno no auge da crise financeira mundial de 2008.

Segundo ele, o governo da nova presidente Dilma Roussef precisa estimular a competitividade. “O Brasil precisa pensar em uma política para a exportação, assim como houve quando o mercado doméstico se retraiu, em 2008, e o governo agiu”, salientou Belini, se referindo à redução de IPI, às linhas de crédito para incentivar os bancos a emprestarem para os consumidores e à maior flexibilidade no depósito compulsório.
 

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